segunda-feira, 24 de dezembro de 2012








   Quantas Marias e Josés, nesta noite, não estarão à procura de um teto, para abrigar o seu filho! A História se repete, em cada criança sem teto, em cada família abandonada. Clamemos por justiça, para todo o nosso povo, para que nunca mais nenhuma criança precise nascer num casebre, carente de tudo. Feliz Natal, meus amigos! Bjks.

domingo, 21 de outubro de 2012

      


   



  As flores me sintonizam com o Universo e no Universo encontro Deus ( Maria Alice Lima Ferreira).

sábado, 22 de setembro de 2012





           Eis um gostinho  do meu 3º livro solo:
                                     

                                                    EM BUSCA DO AMANHÃ

     Serpenteando a serra, pela estrada íngreme, coberta de cascalho, a jardineira empoeirada, lenta, adentra pela mata e, alcança logo depois o descampado, bombardeado pelo sol do meio-dia.  O céu é azul, a temperatura amena e a paisagem, que se vislumbra do cume, é indescritível. Todos os passageiros espicham os olhos. O veículo, então, começa a descer. Mais adiante, vence a curva longa, fechada e estreita, ladeada por pedreiras úmidas e se depara com a Vila, bem no meio do vale. Vila Mariana é brasileira, mas, tipicamente, europeia. Fundada por imigrantes alemães, durante a segunda guerra mundial, constitui-se por um grupo de chalés, casas de madeira envernizadas, ao redor de uma igrejinha. Atrás da igreja, a escola, destoando do conjunto: igual a tantas outras que conhecemos. Um rio de águas claras margeia a vila, pinheiros e ipês floridos completam a paisagem. O ar é puro, o céu é azul e o verde tem o tom do “após-chuva”.
A jardineira estaciona no ponto e os passageiros vão descendo. O motorista espera ansioso, recebendo a passagem de cada um. Quando finalmente, prepara-se para descer, depara-se com ela - a moça que se atrasara e que lhe fizera dar ré e frear, lá em Cantão.
─ Ei, moça chegamos!
Ela nem se mexe.
─ Ei, moça chegamos! - grita ele mais alto.
Aí, sim. Ela se volta pra ele, ergue-se, coloca a mochila grande, de couro, dependurada no ombro esquerdo e indaga:
─ Pode me informar sobre um bom hotel, para eu passar a noite?
─ Oh sim, claro! - ia ele informando, enquanto Bel descia - É logo ali na esquina. Levo a senhora lá. Me dê a bolsa. Pesa muito.
─ Obrigada!
Ele carregava a mochila, tentando puxar assunto. Mas, descobriu logo que a moça não queria conversa. Deixou-a no saguão do Hotel Chalé.
         ─Se a senhora precisar de alguma coisa, lá de Cantão, é só falar comigo. Costumo trazer encomendas.
Ela o olhou. Notou que devia ser descendente de alemães: louro, olhos claros, corado, cabelos lisos, atlético, meio bronco.
 ─ Como é o seu nome?
─ Ciro. E o da senhora?
─ Bel, quer dizer, Isabel.
─ Dona Isabel...
─ Pode me chamar de Bel, sem “dona”.
─ Tá. Bel. Bom, se precisar...
─ Não conheço nada e nem ninguém por aqui.
─ Me conhece, ué! Qualquer coisa... Eu moro a vinte minutos daqui.
─ De carro?
─ Não, a pé. Moro num sitiozinho, com a minha mãe. Somos somente nós dois, desde que meu pai faleceu. Minha mãe gosta de visitas. Eu também. Se quiser aparecer... Temos lá uma cachoeira. Gosta de cachoeira?
─ Gosto, mas só no verão.
─ É certo. Com frio, ninguém aguenta. Mas, é sempre bom um passeio até lá. A senho... Quer dizer, você vai? 
─ Vamos ver!
─ Vai ficar muitos dias?
─ Não sei. Pode ser que sim. Pode ser que amanhã mesmo, esteja indo embora.
─ Bom, não é difícil me encontrar em casa. Sempre chego a esta hora.
─ Obrigada!- disse ela, apertando-lhe a mão e sentindo a firmeza quase brusca da mão dele, comprimindo a sua.
Ciro entregou-lhe a mochila, fez-lhe um aceno e virou-se, caminhando desengonçado.
Sem sequer esboçar um sorriso, Bel ergueu a mão, num aceno rápido e tratou logo de assegurar sua estadia no hotel. Tudo resolvido seguiu o funcionário, que lhe indicou o quarto, deixando sua mochila sobre uma poltrona.
─ A senhora vai almoçar?
─ Não. Quero é um banho.
Ele lhe indicou o banheiro. Ela se instalara numa suíte pequena e confortável, cuja vista dava para um campo verde e, no fim do campo corria o riacho, de águas claras. Chegou à janela, logo que o funcionário se retirou, puxando a porta. Debruçou-se e chorou.
Bel, morena, corpo escultural, de rosto bonito, como que talhado por um escultor perfeccionista, cabelos castanhos lisos, longos e volumosos, inteligente, formada em Turismo, chorava. Por quê?
***
─ Ciro!
─ Como sabia que era eu, mãe?
─ Ora, como sabia? Você é que sempre chega assobiando. Como foi no trabalho, hoje?
─ Bem. Aconteceu uma coisa.
─ Que coisa?
─ Veio uma moça...
 ─ E daí? Não vem sempre uma moça? Ou só viajam velhos, moços e crianças?
─ É diferente.
─ Diferente, como?
─ Uma moça bonita. Muito bonita e muito triste. Hospedou-se no Hotel Chalé.
         ─ Triste? Coitada!
─ Muito triste. Não sorriu de jeito nenhum.
─ E havia motivo para sorrir?
─ Ora, mãe! Fiquei com pena dela. Até falei pra ela vir aqui.
─ Ciro, você nem conhece a moça...
─ Tem jeito de gente boa, mãe.
─ Tô achando que não é só a tristeza dela, que chamou a sua atenção, não!
─ É... Ela é muito bonita. Tem uns olhos castanhos amendoados, com cílios pretinhos... Uma boca carnuda... O corpo...
─ Pode parar, já entendi. Tá de olho na moça, né? Como se chama?
─ Quem?
─ A moça, ué!
─ Bel... Isabel.
─ Não vá se entusiasmar demais. Turista... Você sabe, quer é se divertir.
─ A Bel quer se divertir? Você precisava ver a tristeza dela. Parece que quer é morrer.
─ Credo, estava tão triste assim? Disse a razão?
─ Não disse nada. E eu ia perguntar? Mas, se ela vier aqui, vou tentar ajudar.
─ Como?
─ Sei lá, mãe!
─ Você se impressionou com essa tal de Bel, hein?
─ Ora...
***
Bel não saiu do quarto. Serviram-na lá mesmo - lanche e jantar. Cedo adormeceu. No meio da noite, acordou sobressaltada. O pesadelo... O homem tentava alcançá-la e ela fugia, até se ver sem saída. À beira do abismo, gritava e acordava. Sempre a mesma coisa, nos últimos dias.
Pela manhã, olhou-se no espelho. Viu-se pálida, achou-se feia. Tomou um banho e voltou ao espelho. Resolveu maquiar-se, depois vestiu short jeans e camiseta de listras vermelhas, calçou tênis, encarou-se e decidiu: “Agora é vida nova!” Conheceu outros hóspedes durante o café da manhã, recusou convites, para sair, mas saiu sozinha.
***
─ É aqui que mora o Ciro?
Dona Rosa foi ver quem era. Já tentava torcer a taramela do portão de madeira, que fechava a cerca, quando a moça indagou:
─ A senhora é a mãe do Ciro?
─ Sou. E a senhora, quem é?
─ Bem, eu o conheci ontem, sou Bel.
─ Ah, sei... Vamos entrar! O Ciro falou...
─ Não, dona... Como é mesmo o seu nome?
─ Rosa.
─ Pois é dona Rosa... Eu sei que o Ciro não está agora, ele só chega depois do meio-dia. Eu só estava de passagem. Informaram-me mais ou menos, sobre a sua casa. Só queria confirmar.
 ─ O Ciro não está, mas pode entrar.
─ Fica pra outra vez. Com certeza, vou aparecer.
─ Direi pro Ciro apanhar a senhora, lá no hotel, hoje, pra jantar conosco. A senhora vem?
─ Bom, fico meio sem graça. Mal os conheço...
─ Fica conhecendo melhor, durante o jantar. Combinado?
─ Tá. Combinado. Agora vou continuar minha caminhada. Tem muitas trilhas, por aqui?
─ Ah, tem. E pode caminhar sem susto. Só vai encontrar paz.
Paz era o que buscava. Por isso, caminhava pelas trilhas, escutando o estalar das folhas secas sob os seus pés, sentindo o cheiro do mato e ouvindo o som de pássaros e insetos. Cansada, parava. Sentava-se, até tomar fôlego de novo. Mas, por que tudo aquilo não lhe devolvia a paz? Que vontade sentia de arrancar da garganta aquele nó e dar gostosas risadas, como antes!
***
Durante o jantar, dona Rosa se esforçava, para se inteirar sobre a vida da moça.
─ Dona Bel...
─ Somente Bel, dona Rosa, sem “dona”.
─ Tá. Bel, onde você mora?
─ Em lugar nenhum.
─ O quê? - perguntaram espantados.
─ É isso mesmo. Morava. Deixei minha cidade e tudo pra trás. Agora, moro em lugar nenhum.
─ E seus pais? Deixou sua casa, sua família?
─ Não tenho pais. Morava sozinha. Mas, se vocês me permitem, gostaria de mudar de assunto.
       ─ Parece que a moça não gosta de falar de sua vida. - comentou dona Rosa.
       ─ Mãe, deixe a Bel à vontade.
       ─ Está certo. Mas, uma moça tão bonita, fugindo... Alguma coisa muito triste aconteceu. Ela...
      ─ Dona Rosa, fique tranquila. Não aconteceu nada que me desabone. Não fiz nada de errado, não cometi nenhum crime.
     ─Tudo bem. Sua carinha não é de criminosa não. Mas, vamos mudar de assunto. Você pediu, né?
─ É. Não quero mesmo falar do que passou.
─ Nem de onde você vem?
─ Pra que, Ciro? Fale-me de seu trabalho. Como foi hoje?
─ Igual a todo dia.
─ Ah, você me falou da cachoeira. Quero conhecê-la.
─ Agora é noite.
─ É. Amanhã...
─ Olhe, vou buscar você no hotel, amanhã.
─ De jipe?
─ É.
─ Ah não! Gosto de caminhar. Eu venho e você não precisa se incomodar.
─ Não é incômodo não. Gostei da ideia. Preciso perder esta barriga. Vou buscar você a pé, pode contar.
─ Que barriga tem o meu filho? O que vou falar da minha, então?
Dona Rosa era gorda, barriguda, tinha um rosto redondo, rechonchudo, com pele clara, suave. Os cabelos eram ralos, cacheados, grisalhos e curtos. 
─ Que é isso, mãe? Você é a mãe mais bonita que eu conheço.
─ Esse aí é bajulador, Bel!
─ Ele tem razão. A senhora é bonita, simpática, tem um sorriso sincero.
─ Ah, menina, simpática, eu até acredito. Não dizem que toda gorda é simpática? Deve ser pra compensar o resto.
─ Dona Rosa, a senhora acha a beleza física muito importante?
─ Ah, Bel, tem lá o seu valor, não tem não?
─ Tem, mas passa.
─ É, passa. Por isso é que a pessoa precisa cultivar a beleza interior, senão não sobra nada no fim.
─ Eu sei.
─ Mãe, este franguinho ao molho pardo está delicioso.
─ Sua mãe cozinha muito bem.
─ Ora, chega de conversa, deixem-me tirar a mesa. Não sei se a moça apreciará a sobremesa, mas o meu filho...
─ Ah, já sei o que é: pavê de chocolate. Acertei?-indagou o moço.
        ─ Acertou. Você gosta Bel?
─ Gosto. - respondeu, ajudando a retirar os pratos.
─ Deixe! Você é visita.
─ Não custa nada. Deixe-me ajudar.
E ajudou, até que ficou tudo limpo. Depois da sobremesa, passaram à sala de TV. Já era bem tarde, quando Ciro a levou no jipe.
─ Minha mãe gostou de você. Também, quem não gosta né?
─ Vocês são muito gentis.
─ Não é gentileza não. Somos sinceros.
─ Eu sei. Obrigada.
─ Amanhã, às 14:00h está bom para você?
─ Está. Mas, você vai acabar se cansando. Trabalhar, depois me paparicar...
─ Canso não. É um gosto. Faço por mim mesmo. Me sinto bem ao seu lado.
Ela começou a perceber que despertava nele mais que amizade.
─ Você é um bom amigo.
─ Só isso?
─ Espero, porque...
─ Porque...
─ Esqueça.
─ Tá. Mas, ainda vou fazer você sorrir.
Ela o olhou pensativa e esboçou um sorriso.
─ Isso. Sorria. Você é linda!
Diante do entusiasmo dele, Bel sorriu melhor. Ciro freou o carro.
─ Por que parou?
─ Ora, porque preciso apreciar este sorriso. Se você soubesse o quanto é linda sorrindo, nunca mais se entristeceria.
─ Só você mesmo...
─ Você é mesmo especial. Dá pra ver, que é moça fina, educada, estudada e fica andando com um sujeito bronco como eu. Um motorista de jardineira!
─ Ciro, eu estudei sim. Formei-me em Turismo. Não exerci a profissão ainda. Mas, pretendo. E daí?
─ Bom, eu só fiz o ginásio, em Cantão. Depois, o pai morreu e eu voltei, pra cuidar da mãe. Não gosto de mexer com terra não. Gosto da natureza, mas não levo jeito com plantações. Além disso, no sítio, a mãe só cultiva flores, que são vendidas em Cantão. Você viu, não viu?
─ Vi. São lindas. Sua mãe me mostrou.
─ Pois é... Como não tenho muita opção, virei motorista. Não me envergonho não, mas ia me sentir muito mal, se você tivesse vergonha de ter um amigo motorista de jardineira.
─ Eu? Vergonha? É preciso ser pequeno demais, para sentir vergonha da profissão de um amigo.
─ E se eu fosse mais que seu amigo? Namorado?
─ Você é meu amigo.
─ Mas, faça de conta.
─ Se eu fosse sua namorada, com certeza, estaria apaixonada. Aí... Você poderia ser até mico de circo, quanto mais motorista! Imagine! O que importa numa pessoa, você tem de sobra.
─ O que é?
─ Autenticidade.
─ O quê?
Ele possui um vocabulário bem restrito.
─ Quero dizer, que você é o que é: transparente. Sua fala corresponde ao seu pensamento. É como se pudesse ler a sua alma. Posso até estar enganada, mas não costumo errar neste tipo de julgamento. Se bem, que a gente se conhece há pouco tempo. Questão de horas, não é?
─ Ué, nem sabia que eu era assim. Mas, se quiser conferir se está enganada ou não, é só não deixar de me encontrar e demorar a ir embora.
***
Bel permaneceu dois meses em Vila Mariana. Durante esse tempo, esteve sempre em companhia de Ciro. Ele tentava arrancar-lhe a história, que desfaria o mistério que a envolvia, mas nada conseguia. Certa vez, descansavam de uma cavalgada, junto ao rio, sentados sobre a relva. Ele se aproximou, com intimidade e ela se deixou beijar na boca, a princípio sem corresponder e, pouco a pouco, timidamente, correspondendo ao beijo do jovem.
─ Bom, parece que você não estava muito empolgada. Desculpe!
─ Não tem que pedir desculpa. Eu deixei, não deixei?
─ Estou gostando de você.
─ Eu também gosto de você.
─ Mas, gosta diferente, não é?
─ Não sei.
─ Sabe sim. Já percebeu que estou é apaixonadão.
─ Bem, Ciro, eu tenho você na conta de um amigo. Não gostaria que passasse disso.
─ Você tem razão. Como um sujeito bronco, como eu, pode sonhar como uma dama como você, estudada, fina?
─ Não tem nada a ver, meu caro. Já disse que o admiro e admiro muito mais que a muitos doutores, porém...
─ Ainda gosta dele, não é?
─ Dele, quem?
─ Do homem que a fez fugir para cá.
─ Nunca disse que havia um homem nesta história.
─ Não disse. Eu imaginei.
─ Vamos mudar de assunto? Senão...
─ Senão vai embora, não é? Por que não confia em mim? Pensei que já confiasse. Quando chegou, nem sorria. Agora, ri comigo, parece divertir-se tanto... Se bem que, de vez em quando, seu olhar fica tão distante...
─ Agradeço-lhe muitíssimo por sua companhia, sua amizade...
─ Não é amizade. É amor. Amor que você recusa.
─ Compreenda...
─ Tá, eu compreendo. E o que ganho com isso? Pelo menos, posso ter uma esperança?
─ Como vou saber? Sentimento não é uma coisa previsível.
─ Como?
─ Previsível. Quer dizer, que eu possa prever ou garantir que vai acontecer.
- Eu gosto por nós dois.
─ Não, Ciro. Assim não quero. Por mim e por você, não quero. Quando encontrar alguém, que goste tanto de você...
─ Pare! Eu só vou amar você.
─ Impressão sua! A gente nunca sabe o que o amanhã nos reserva. Verá que eu tenho razão. Na maioria das vezes, estamos sempre em busca do amanhã.
***
Naquela noite, Bel deixou o Hotel Chalé, de táxi, sem despedidas e sem deixar pistas.
Dona Rosa tentava consolar o filho.
─ Eu lhe disse, para não se entusiasmar demais. Turista... Você foi se achegando, achegando... Agora, é levantar a cabeça e seguir adiante. Aquela moça é muito misteriosa. Por que nunca fala do passado? Nem de onde veio, você conseguiu saber. Esquisito.
─ Ah mãe, ainda vou encontrar a Bel, um dia!
─ Filho, tem tanta moça boa, em Vila Mariana. Gente que a gente conhece. Olhe, a Ritinha gosta muito de você. Desde que a Bel chegou aqui, você desprezou a pobre. Você bem que gostava dela.
─ Gostava, mas é diferente. Ah, Bel... Ah, a Bel!
─ Ritinha é nossa vizinha. Tão pertinho de você! Pra que ir longe buscar o amor, se pode encontrar um, aqui mesmo, tão perto?
─ Longe? Buscar longe o amor? Nem isso eu posso fazer, porque não sei onde ela está. Aquela ingrata! Sem educação! Nem se despediu da gente. Não saía daqui, né mãe? E fez isso!
─ Pois é, filho! Ela não merece que você fique com esta cara de desespero. Ande!  Saia deste calundu! Seja homem, ué!
─ Tá certo. Não se fala mais de Bel nesta casa. – respondeu o moço, retirando-se com passos firmes, indo em direção à garagem.
Dona Rosa ouviu o barulho do acelerador e, depois, ouviu ronco do motor do jipe, indo em direção à vila.
─ Vai encher a cara! – disse em voz alta, para si mesma.
***
Dois anos depois, vamos encontrar Bel desembarcando no Aeroporto Internacional do Rio. Ela vai ao encontro dos tios, que a esperam. Beijos e abraços. Dirigem-se para o carro.


sexta-feira, 21 de setembro de 2012



 Ufa! Terminei o meu 3º livro solo. Mas, tenho ainda muito chão até a sua publicação. Se os leitores gostarão, eu não sei. Sei que eu gostei. Graças, meu Deus!. Seu título? Em Busca do Amanhã.

sábado, 15 de setembro de 2012







  Ansiosa por este troféu!!!
    Estou feliz... Feliz... Feliz...
TROFÉU DESTAQUE 2012 DA ACADEMIA NITEROIENSE DE BELAS ARTES LETRAS E CIÊNCIAS - ANBA Niteroiense Academy of Fine Arts, Sciences and Letters - ANBA. PARA OS MELHORES DE 2012
a Acadêmica Escritora e Poeta Maria Alice Lima Ferreira RECEBE O TROFÉU DESTAQUE 2012 COMO AS MELHORES DE 2012 dia 26 de outubro às 17h no centro Cultural da OAB-Niterói Av. Ernani do Amaral Peixoto 507 - 8° andar - Centro - Niterói - RJ

quinta-feira, 9 de agosto de 2012






     Este filme marcou a minha vida. Conheci pessoalmente um personagem dele: Frei Fernando. Se você curte conhecer a História de nosso país, não deixe de vê-lo!

quinta-feira, 19 de julho de 2012


              
                                   Juntos na Lembrança



 A música no ar...
 Lembro você:
 Sorriso tão lindo, sereno, tranquilo - menino traquino
 Revelando a alma:
 Ousada, saltitante...
 Em meu olhar perdido – Transfigurado...
 Em franco desatino
 Descobriu o encanto - a delícia de amar.
 Traz-me de volta aquela volúpia:
 Gostosa, caprichosa a nos envolver...
 Ensinando caminhos que juntos trilhamos:
loucos, famintos... 
Saciando a fome e a sede de beijos “calientes”
Tão doces, tão quentes...
Suaves e ávidos de intenso prazer.
A música parou.
Você cessou.
Tudo acabou?  A lembrança ficou
A espera de um toque, um lugar ou um som,
Que na memória, juntos nos faça - minha glória...
Outra vez sorrindo
Renascer na nossa história.
                                Maria Alice Lima Ferreira
  (Poema originalmente publicado na antologia Varal Antológico II, org. de Jacqueline Aisenman)

sábado, 7 de julho de 2012



                Cultivemos boas opiniões a nosso respeito e seremos aquilo que acreditarmos ser. (Maria Alice)

sexta-feira, 6 de julho de 2012


                                             As flores despertam em mim a consciência de Deus.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

sexta-feira, 29 de junho de 2012



"A solução dos problemas humanos terá que contar com a literatura, a musica, a pintura, enfim com as artes. O homem necessita de beleza como necessita de pão e de liberdade. As artes existirão enquanto o homem existir sobre a face da terra. A literatura será sempre uma arma do homem em sua caminhada pela terra, em sua busca de felicidade." (Jorge Amado)

domingo, 17 de junho de 2012











Somos a base da pirâmide, somos o trigo separado do joio, vivendo nos trigais, cá de baixo, alimentando o mundo, com a nossa energia boa. (Maria Alice Lima Ferreira)

segunda-feira, 4 de junho de 2012

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Meu Caderno

  Quantas noites acordei, com o peito querendo explodir e uma vontade imensa de escrever: uma crônica, uma poesia, qualquer coisa que me acalmasse. Erguia-me, dentro da madrugada, em que todos dormiam, pegava um caderno, que reservara apenas para esses momentos e escrevia... Escrevia... Até saciar a fome de escrever. Mais calma, deitava-me e dormia. Não sei por onde anda esse caderno, em que jogava toda a inspiração, que me sufocava. Ah, se pudesse reencontrá-lo! Naquele tempo, eu não pensava ser escritora, mas já o era sem saber. Escrevia apenas, para aliviar aquela febre muito louca, que sentia e que baixava, depois de derramar um monte de frases, sobre as páginas do "meu caderno". Nem me lembro o que escrevia, mas me lembro que, na época, sentia uma satisfação muito louca, ao ler o que acabara de produzir.
  Por onde andará meu caderninho? Quem souber notícias dele...

quinta-feira, 31 de maio de 2012





 Algumas pessoas me julgam boazinha. Outras me acham bobinha. Tudo isso pelo mesmo motivo: é que sei perdoar e logo,logo, estou abrindo um sorriso gostoso,  apesar de ter sido  traída, ultrajada, abandonada, tendo tudo isso magoado, profundamente, a minha alma. Como se enganam em seu julgamento! Nem boazinha nem bobinha… O que sou mesmo é inteligente: Afinal, ninguém merece que eu sofra por suas ofensas. E se não perdoo, sinto o peito arrebentar de tanta amargura e decepção. Quem sabe a pessoa, causa do meu sofrimento, já nem se lembre mais, que, um dia, tanto me ofendeu? Aí é que está: seguirá, com certeza, feliz da vida, fazendo mais vítimas, no seu caminho. E eu vou sofrer, por quê? Por ser uma coitadinha? Que  coitadinha , que nada! Vim ao mundo para ser feliz. Não para me deter  nestas mazelas da vida e me sucumbir de tanta tristeza.  Tenho mais o que fazer e a felicidade me espera. Agora, se alguém me perguntar se esqueci a ofensa, direi que não. Claro que não! Para isso tenho memória.Só que vejo todo aquele sofrimento (que durou menos de dois dias, com certeza ) já tão distante e insignificante, que não sinto mais doer o coração e nem sinto o menor resquício de raiva, ódio ou mágoa de ninguém.
 O maior de todos os mestres, o homem mais inteligente, que já pisou neste Planeta – Jesus Cristo – ensinou-nos a perdoar e a amar os  inimigos e até mesmo a orar por eles. Queria que fizéssemos uma média? Não. Foi por amor, por nos querer felizes, que nos ensinou o perdão e o amor incondicional. Se queremos ser felizes, temos que aprender d’Ele e com Ele como buscar a felicidade. É só tentar. Verão que vale a pena.
 Maria Alice Lima  Ferreira
Texto originalmente publicado no Portal Arte & Cultura  




"A Literatura, como todas as artes, é a confirmação de que a vida não basta." (Fernando Pessoa)




Amei...





terça-feira, 29 de maio de 2012





      

  Fotos de minha noite de autógrafos,  em 19/05/2012...





         Meu sobrinho, Totônio, entregando-me as flores, com um lindo cartão, enviado pelo seu mano José Jarbas Bittencourt Ferreira, que assim se fez representar, na impossibilidade de comparecer, pois estava longe.

                 Emerson Marcelo Machado, Secretário de Cultura explanando, no telão, a minha vida literária...
                                          Rita Lamim, professora da EEJBS e grande amiga...
                                                     Um grupo de familiares e amigos...
                                Maninha, doce criatura, amiga, que colaborou muito com o evento.
                                                              Um grupo de amigas...
                                                     Ideraldo, grande amigo e incentivador...

Alda, advogada, professora, arteterapeuta e amiga e Helder, Diretor da EEJBS e grande amigo.







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   Esta história está publicada, em dois idiomas - Português e Francês - no livro Histórias para Você Dormir 3, uma antologia organizada por Izabelle Valladares:


                    



                      Uma História para Luíza
                                          Maria Alice Lima Ferreira









  Luíza pediu-me:
  - Tia, conte-me uma história?
  Seus olhinhos da cor de jabuticabas maduras e no formato de duas  ameixas grandes, um tanto fechadinhos nos cantos, junto às têmporas e cobertos por cílios pretinhos, eram dois pedintes a implorar, na minha direção. Como podia recusar-lhe?
  - Sim. Conto. Mas, só se for uma história verdadeira.
  - Oba! Uma história verdadeira! Que bom tia!
  Dirigimo-nos para a varanda. Sentei-me numa cadeira de recosto curvado,  de ferro, entrelaçado por cordinhas de plástico azul escuro e ela posicionou a dela, idêntica à minha, de frente, um pouco para o meu lado esquerdo. Comecei a narrar:
  - Está vendo aquele morro lá?
  Ela virou-se para vê-lo:
  - Aquele, muito alto, tia?
  - É aquele mesmo. Pois bem, lá mora uma garotinha, que tem seis anos, da sua idade, então. O nome dela é Jolinha. Mas, a Jolinha não vai de carro pra escola não. O pai dela nem tem carro como o seu, que a leva todo dia e depois vai buscá-la, no fim das aulas. Jolinha desce a pé, o morro, com os coleguinhas dela, pra ir à escola e depois volta com eles.
  - E onde é a escola dela?



  - É embaixo, no pé do morro. O pai dela não tem tempo de levá-la à escola e nem a mãe dela. Os dois trabalham muito. Ele sai às 05:00h de casa e a mãe pega logo no batente: lava muita roupa de gente, que mora aqui, entre nós. Depois passa, coloca numas bolsas grandes e vai entregar às pessoas, que lhe pagam para isso. Coitada! Até que gostaria de buscar a filha na escola, mas precisa voltar pra casa rapidamente, pra preparar o jantar, tomar um banho e esperar por ela e o marido. Este só chega de volta do trabalho, depois que a Jolinha já está dormindo, porque trabalha muito longe e tem que pegar três ônibus, pra ir e três pra voltar. Ele é pedreiro, faz casa pra gente rica, mas a casa dele, onde mora a Jolinha, não é igual a sua não. É de tábuas e coberta de zinco, um material da cor do alumínio, mas muito inferior. Só quando a professora manda um bilhete, pedindo a presença dos pais, na escola, é que Dona Zuleika, a mãe da Jolinha deixa o serviço se acumular, se apronta toda, com um vestido de algodão verde, que ganhou de uma de suas patroas, bem justinho ao seu corpo magricela, pega o cabelo comprido e prende-o num coque, no alto da cabeça e desce o morro, para atender à professora, arrastando seus chinelos de couro. Quase sempre há uma reunião, que dizem ser de pais, mas na verdade é de mães, porque só elas conseguem ir. Este é o único dia, que Jolinha volta pra casa acompanhada pela mãe e segue radiante, feliz e orgulhosa da mãe que tem.
  - A Jolinha tem brinquedos, tia?
  - Iguais aos seus não. Mas, tem os que ganha de Papai Noel, todos os anos. Ela tem uma caixa grande, onde guarda todos eles.
  - Ah, então, Papai Noel vai a casa dela?
  Não. É ela que desce o morro, junto com toda a garotada de lá e, embaixo, entra na fila, ao meio-dia, hora que Papai Noel chega, pra entregar os presentinhos: bolas, petecas, carrinhos, bonequinhas, mas nada tão luxuoso quanto os brinquedos, que você ganha no Natal.
        


  - Ai , tia, estou ficando com pena da Jolinha. Ela tem o cabelo liso e grande, a pele da cor da minha e os dentes branquinhos? Tem?
   - Tem. Ela se parece muito com você, tem essa boca carnudinha e esse nariz delicado, que nem o seu.
   - Tia, me leva pra conhecer a Jolinha? Por que o pai dela é tão pobre?
  Respirei fundo. A história era verdadeira sim, à medida que se assemelhava à história de tantas crianças pobres. Mas, onde eu ia arranjar uma Jolinha verdadeira, pra minha sobrinha conhecer? Foi, então que tive a idéia:
   - Sabe, Júlia, Jolinha não é um nome verdadeiro. Eu inventei um nome, porque esqueci o dela. Mas, quando eu for levar você lá, perguntaremos o seu nome. O pai dela é pobre, porque não teve a mesma oportunidade que o seu, de cursar uma faculdade de Direito e trabalhar muito bem em sua profissão. Advogado ganha mais que pedreiro, você sabe, porém como o seu João, este é o nome do pai da personagem de nossa história, poderia cursar uma faculdade, se os seus pais eram pobres também e não podiam financiar nenhum curso, que lhe garantisse a matrícula, na faculdade? Naquele tempo, era tudo um pouco mais difícil que hoje: os ricos cursavam a faculdade gratuita, do governo, porque eram bem preparados em cursos pré-vestibulares excelentes e os pobres, se passassem no vestibular, tinham que se contentar com as particulares, caríssimas, que nem todos conseguiam pagar. Foi o caso do seu João. Mas, agora chega de história. Já escureceu. É hora de tomar banho, jantar, ver um pouco de TV e ir dormir, ok?



   - Sim, tia. Mas, quando eu for conhecer a Jolinha, a senhora me ajuda a fazer um embrulho de brinquedos, para  eu levar pra ela?
  - Ajudo sim, mas não vamos levar só pra ela não. Vamos encher o carro de muitos brinquedos e levar para todas as crianças de lá, está bem?
  E assim foi, que, numa tarde de domingo, Luíza e eu subimos o morro, até onde dava pra ir. O resto percorremos a pé e eu pedi ao presidente da Associação de Moradores, que nos ajudasse a subir com os embrulhos. E lá ela descobriu tantas Jolinhas e “Julinhos”, que se encantou em brincar com eles, rolando no chão de terra batida das ruas do morro, feliz, leve e solta, no meio de toda aquela garotada. Crianças se entendem, sejam de que nível social forem, pois elas deixam falar a alma e alma de criança é aquela que já tem lugar garantido no Paraíso. Aliás, no Céu só entram crianças: de dois, três, dez, vinte, quarenta, sessenta, noventa anos. O nº de anos vividos não importa, mas tem  que ser criança, se quiser ganhar o sonhado Paraíso.















 

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